Quem viu a última campanha do Itaú Personnalité veiculada na TV com certeza ficou intrigado com o efeito de miniatura dado à paisagem, frame após frame. Os filmes “Perspectivas” e “Projetos Perfeitos”, lançados no ano passado, usavam a técnica fotográfica chamada Tilt Shift, que caiu no gosto de profissionais e amadores da fotografia e do cinema nos últimos tempos.
Logo haviam centenas de imagens surgindo na web usando o mesmo efeito, tutorias ensinando como ‘tilt shiftear’ imagens pela câmera ou artificialmente e, recentemente, o superpopular aplicativo de fotos Instagram lançou uma ferramenta que permite a manipulação digital da imagem para conseguir o mesmo aspecto.
A técnica faz uso de lentes especiais que distorcem a imagem, mudando a perspectiva e foco de maneira a alterar a noção de escala dos ambientes. O resultado é que cidades inteiras ganham uma cara de maquete.
A técnica é bastante antiga: surgiu em 1962 com o lançamento de uma lente especializada da Nikon. Na década de 90 a referência teve um momento de popularidade com o lançamento do premiado clipe de Thom Yorke, vocalista da banda Radiohead, Harrowdown Hill, dirigido por Chel White, mas só recentemente O Tilt Shift virou uma referência estética de imagem ‘popular’.
“O nome ‘Tilt Shift’ vem de uma técnica inicialmente aplicada apenas a câmeras de ‘grande formato’, ou seja, câmeras que utilizavam chapas de formatos 4×5 polegadas e acima disto”, explica o fotógrafo Ary Diesendruck, que ha tempos usa a técnica em seu trabalho.
Hoje existem programas de edição de imagem, como o Photoshop, que ensinam a reproduzir o efeito na tela do computador usando filtros, mas o método tradicional aplicado na hora do click, como explica Ary, é muito mais complexo do que pode parecer. “Realizando determinados ‘movimentos’ ou ajustes dos planos da objetiva e do filme, que funcionam de maneira independente um do outro, distancia-se as extremidades da imagem criando oticamente uma área de ‘foco seletivo’. Isto pode ser obtido em quase todas as situações trabalhando com um câmera de grande formato. É um procedimento de certa forma complexo e moroso, além de muito custoso, pois câmeras de grande formato fazem fotos ‘avulsas’, não com rolos de filme.”, explica o fotógrafo que também é professor de fotografia na FAAP, em São Paulo.
Ary conta que a princípio tentou aplicar o Tilt Shift em suas imagens através do Photoshop. Foi assim até se deparar com o trabalho do aclamado fotógrafo brasileiro Claudio Edinger, que vinha utilizando a técnica.
“Estava diante de um trabalho lindo e original, realizado da forma mais purista da fotografia (ou seja: fotografando em grande formato!). Perguntando a ele num debate sobre os caminhos da fotografia, ele expôs de forma muito clara a questão de ‘enfatizar’ a intencão da foto através da técnica de ‘foco seletivo’ e validou a aplicação do Tilt Shift em todas e quaisquer formas de captura de imagem”.
Do encontro veio a inspiração para uma série de ensaios que retratam diferentes cidades e municípios brasileiras sob esta nova perspectiva. “Nosso mundinho quase ganha a dimensao merecida! Parecemos bonecos de Toy Art”, conta Ary.
O resultado você vê na série de imagens abaixo, feitas em Fernando de Noronha, Salvador e São Paulo, respectivamente. As imagens de Ary Diesendruck estão a venda em seu site e também disponíveis para compartilhamento digital sem custo algum.


