Vídeos

Nightsurf por Iker Elorrieta

Captar de perto surfistas praticando esse esporte, só que a noite. Essa foi a ideia do fotógrafo e cineasta espanhol Iker Elorrieda ao criar o curta Nightsurf. Se olhando de longe o projeto não parece suficientemente inovador, as imagens gravadas sob a lua cheia vem para provar que o enfoque e a edição aplicados ao vídeo fazem dele uma obra memorável.

Produzido pela Pantom, Nightsurf captura um olhar sofisticado sob o surf que eleva os vídeos de esporte a um outro patamar. A trilha sonora é de Nico Casal. Vale o clique!

Nightsurf from Iker Elorrieta on Vimeo.

Comportamento

Revelando o conteúdo das bolsas

O fotógrafo Jason Travis decidiu investigar o que homens e mulheres de diferentes idades carregam em suas bolsas, mochilas e pastas de trabalho. A meta por trás da série de retratos dípticos chamada Persona é capturar um pouco das idiossincrasias dos indivíduos a partir do que cada um considera essencial o suficiente para carregar todos os dias ao seu lado.

Como em um estudo antropológico, o resultado mostra uma série de objetos comuns que podem ser usados no dia a dia como carteiras, câmeras fotográficas e celulares, e outros tantos peculiares como um Game Boy ou apenas um bolo de dinheiro dividido em notas de 20.

As imagens foram postadas na página do projeto no Flickr. Veja algumas delas abaixo.

Comportamento

Você é o que você consome

O que sua geladeira, ou melhor, o que está dentro dela, diz sobre você? Foi isso que a fotógrafa e documentarista canadense Stephanie de Rouge decidiu investigar no ensaio In Your Fridge.

A série de fotografias faz um recorte intimo e curioso sobre a vida alheia revelando em 40 retratos, produzidos ao longo de 3 anos, como o consumo de alimentos pode servir como um espelho de nossa personalidade, de como nos projetamos no mundo e de nossa cultura, refletindo algumas facetas tanto de nosso perfil social, quanto psicológico.

O resultado você vê nas imagens abaixo.

Design

Tilt shifting – a arte de criar miniaturas

Quem viu a última campanha do Itaú Personnalité veiculada na TV com certeza ficou intrigado com o efeito de miniatura dado à paisagem, frame após frame. Os filmes “Perspectivas” e “Projetos Perfeitos”, lançados no ano passado, usavam a técnica fotográfica chamada Tilt Shift, que caiu no gosto de profissionais e amadores da fotografia e do cinema nos últimos tempos.

Logo haviam centenas de imagens surgindo na web usando o mesmo efeito, tutorias ensinando como ‘tilt shiftear’ imagens pela câmera ou artificialmente e, recentemente, o superpopular aplicativo de fotos Instagram lançou uma ferramenta que permite a manipulação digital da imagem para conseguir o mesmo aspecto.

A técnica faz uso de lentes especiais que distorcem a imagem, mudando a perspectiva e foco de maneira a alterar a noção de escala dos ambientes. O resultado é que cidades inteiras ganham uma cara de maquete.

 

A técnica é bastante antiga: surgiu em 1962 com o lançamento de uma lente especializada da Nikon. Na década de 90 a referência teve um momento de popularidade com o lançamento do premiado clipe de Thom Yorke, vocalista da banda Radiohead, Harrowdown Hill, dirigido por Chel White, mas só recentemente O Tilt Shift virou uma referência estética de imagem ‘popular’.

“O nome ‘Tilt Shift’ vem de uma técnica inicialmente aplicada apenas a câmeras de ‘grande formato’, ou seja, câmeras que utilizavam chapas de formatos 4×5 polegadas e acima disto”, explica o fotógrafo Ary Diesendruck, que ha tempos usa a técnica em seu trabalho.

Hoje existem programas de edição de imagem, como o Photoshop, que ensinam a reproduzir o efeito na tela do computador usando filtros, mas o método tradicional aplicado na hora do click, como explica Ary, é muito mais complexo do que pode parecer. “Realizando determinados ‘movimentos’ ou ajustes dos planos da objetiva e do filme, que funcionam de maneira independente um do outro, distancia-se as extremidades da imagem criando oticamente uma área de ‘foco seletivo’. Isto pode ser obtido em quase todas as situações trabalhando com um câmera de grande formato. É um procedimento de certa forma complexo e moroso, além de muito custoso, pois câmeras de grande formato fazem fotos ‘avulsas’, não com rolos de filme.”, explica o fotógrafo que também é professor de fotografia na FAAP, em São Paulo.

Ary conta que a princípio tentou aplicar o Tilt Shift em suas imagens através do Photoshop. Foi assim até se deparar com o trabalho do aclamado fotógrafo brasileiro Claudio Edinger, que vinha utilizando a técnica.

“Estava diante de um trabalho lindo e original, realizado da forma mais purista da fotografia (ou seja: fotografando em grande formato!). Perguntando a ele num debate sobre os caminhos da fotografia, ele expôs de forma muito clara a questão de ‘enfatizar’ a intencão da foto através da técnica de ‘foco seletivo’ e validou a aplicação do Tilt Shift em todas e quaisquer formas de captura de imagem”.

Do encontro veio a inspiração para uma série de ensaios que retratam diferentes cidades e municípios brasileiras sob esta nova perspectiva. “Nosso mundinho quase ganha a dimensao merecida! Parecemos bonecos de Toy Art”, conta Ary.

O resultado você vê na série de imagens abaixo, feitas em Fernando de Noronha, Salvador e São Paulo, respectivamente. As imagens de Ary Diesendruck estão a venda em seu site e também disponíveis para compartilhamento digital sem custo algum.

Comportamento

Retratos do consumo

A crença no poder do consumo é um dos pilares da sociedade moderna e serve de guia para grande parte da política econômica mundial. Os estímulos para comprar, substituir e renovar uma série de produtos fez de boa parte de nós verdadeiros acumuladores de um infindável volume de objetos, que agora aparecem retratados como totens da cultura contemporânea no trabalho de dois fotógrafos.

Em Material World, o norte-americano David Welch representou estes artefatos da cultura de consumo transformando-os em amontoados de tralhas. Ele expôs os objetos de todo dia como amostras do acumulo e do desperdício de bens materiais.

“Meu trabalho é uma resposta a esse ambiente social do consumidor contemporâneo. Ao tratar os artefatos da cultura do consumidor como readymades, eu crio montagens para formar pseudo monumentos, ou totens, que servem como externalizações precárias da cultura enquanto biografia social. Os totens falam de acumulação e materialidade e encorajam o debate sobre consumo, mídia, classe, gênero e as maneiras em que nos sentimos impelidos a consumir”, diz o autor.

A série Totems, do artista Frances Alain Delorme, também funciona como um convite à reflexão no que se refere ao ímpeto de consumir. Afinal, qual o limite que determina o que realmente precisamos e o que apenas queremos comprar?

As fotografias de Delorme colocam o observador dentro do coração da China contemporânea e mostram homens catadores de objetos descartados diariamente nas ruas de Shangai – seja pra reaproveitamento ou apenas entulho -, carregando pilhas inacreditáveis de produtos em suas pequenas bicicletas. Confira!